Torres pede prazo maior para hospital suspender atendimentos

pronto atendimento_448x336Prazo para reorganizar a rede de saúde é a principal reivindicação da prefeita Nílvia Pinto Pereira à direção do Hospital Nossa Senhora dos Navegantes, do Grupo Mãe de Deus, diante da suspensão do atendimento de baixa complexidade. O Grupo Mãe de Deus decidiu que a partir do próximo dia 25, atenderá apenas os casos de emergência, não fornecendo mais suporte de exames laboratoriais, imagens e outros para pacientes que não sejam encaminhados pelo SAMU, Corpo de Bombeiros, Brigada Militar e PAs.

Torres precisa de prazo para organizar uma nova rede de saúde onde o Hospital fazia parte junto com o Estado. Rompida uma perna deste tripé, no mínimo os municípios da região precisam de prazo para equipar-se, alega a prefeita. Muitas tratativas estão sendo realizadas entre os prefeitos, junto à 18ª Coordenadoria Regional de Saúde e ao Ministério Público que está se mostrando bastante sensível com a causa.

Conforme a prefeita Nílvia, até dezembro de 2014 estava tudo andando bem na área de saúde pública de Torres, apenas com algumas dificuldades pontuais, mas dentro da normalidade. A crise financeira é a maior responsável pela situação, explica a prefeita. O Nossa Senhora dos Navegantes tem dinheiro para receber do Governo do Estado e de emendas. O agravante veio com a portaria IHOSP concedida pela gestão estadual anterior que consistia num adicional de 12 parcelas mensais de R$ 126 mil em 2014. A ausência desta portaria, a partir de janeiro de 2015, é que teria provocado a necessidade da transferência brusca do atendimento para o município. Em contato com a direção do Grupo Mãe de Deus em janeiro deste ano, o grupo ainda mostrou-se esperançoso com a reedição da portaria, disse a prefeita.

Falta de dinheiro o município também tem, destaca. O Governo do Estado deve R$ 326 mil de Atenção Básica, R$ 189 mil de Saúde Bucal, R$ 56 mil do Primeiro Infância Melhor, 59 mil da Farmácia Básica, entre outros. Informa que a Prefeitura precisa de dinheiro para terminar o telhado do Pronto Atendimento, montante de R$ 68 mil. Devido este quadro, reforça que o município não pode assumir da noite para o dia o protocolo anteriormente realizado pelo hospital, até porque o Pronto Atendimento do Posto Central está em reforma com previsão de entrega para outubro. Atualmente o PA encontra-se na Unidade Centro Vida Torrense. Um prazo maior para equipar o local é evidenciado com a necessidade de se ter um traumatologista, com serviço de gesso, raio-x, por exemplo. O atendimento de média e alta complexidade continua de responsabilidade do Hospital.

Além de prazo, o diálogo também é muito importante neste momento ressalta a prefeita Nílvia. Informa que há três encaminhamentos para a situação: nesta quarta-feira, 17 de junho, o corpo técnico da Secretaria Municipal de Saúde e do Nossa Senhora dos Navegantes devem se reunir para debater o protocolo de atendimento. Também deverá ser discutido entre as Prefeituras da região e suas Procuradorias qual o formato jurídico para que talvez o montante que os municípios repassavam para o Hospital viesse para Torres, numa espécie de consórcio como já foi sinalizado em reuniões anteriores. E ainda junto ao Ministério Público, que tem se mostrado preocupado com a situação, obtivesse mais prazo com o Hospital. Nesta última segunda-feira pela manhã, representantes das Prefeituras debateram o tema na 18ª Coordenadoria Regional de Saúde. Na reunião foi confirmado que o agravante da situação foi a suspensão da portaria IHOSP.