Saúde do Estado alerta para o combate ao mosquito transmissor do Zika Vírus

MD_20151120160513hd_20151120123815coletiva_zika_20_11_15A possível relação da infecção por Zika Vírus com casos de microcefalia em recém-nascidos na Região Nordeste do país levou a Secretaria Estadual da Saúde (SES) a reunir, nesta sexta-feira (20), a imprensa para fazer um alerta à população sobre o combate ao mosquito transmissor da doença.

O secretário estadual da saúde, João Gabbardo dos Reis, reforçou que as medidas necessárias são as mesmas já adotadas contra a dengue, pois o inseto responsável pelo contágio desse vírus – novo no Brasil – é o mesmo: o Aedes aegypti. Além disso, para este verão – época do ano de maior proliferação do inseto – foi anunciado o investimento de R$ 3,8 milhões no reforço das ações de vigilância nos municípios e em uma campanha publicitária.

Para Gabbardo, é importante tomar atitudes rápidas antes da chegada do vírus ao RS. O Zika já foi identificado em dez estados no Norte e Nordeste, além de São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná. “São grandes as chances dele chegar ao Estado em algum momento. Por isso, é a nossa responsabilidade estarmos preparados para isso”, afirmou.

A diretora do Centro Estadual de Vigilância em Saúde (Cevs), Marilina Bercini, ressaltou ainda que nesta época do ano que é preciso reforçar as medidas preventivas. “O calor, atrelado às chuvas que estamos tendo, pode levar a um aumento nos locais com água parada, que é onde o inseto deposita as larvas. Assim, há uma possibilidade que tenhamos uma maior circulação do mosquito”, frisou.

“Além disso, muitas pessoas viajam durante essa época do ano, e o Nordeste é um dos destinos mais procurados. Caso uma pessoa seja infectada em outro Estado durante as férias, na volta ao RS ela pode vir a ser picada pelo Aedes e, a partir disso, o inseto pode passar a transmitir a doença aqui no Estado”, concluiu.

A febre do Zika Vírus é uma doença ainda pouco conhecida e causada por um agente identificado inicialmente em 1947 em Uganda, na África, em uma floresta chamada Zika. Desde lá, surtos em pequeno número de pessoas são registrados em comunidades rurais africanas e ilhas da Polinésia e Micronésia, no Pacífico.

Seu modo de transmissão é por meio da picada do Aedes aegypti infectado – o mesmo que transmite a dengue e a febre do chikungunya – com um período de incubação até os primeiros sintomas de, em média, quatro dias. A maior parte dos casos não apresenta sinais.

Estima-se que somente 18% apresentem algum quadro de: febre baixa, hiperemia conjuntival (olhos vermelhos), artralgia (dores em articulação) e exantema maculopapular (erupção cutânea com pontos brancos ou vermelhos), dores musculares, dor de cabeça e/ou nas costas. Os sintomas podem durar até sete dias.

Em geral, pacientes com a doença têm evolução benigna, mas há relatos de complicações neurológicas com Síndrome de Guillain-Barré (doença neurológica, de origem autoimune, que provoca fraqueza muscular generalizada). O tratamento é realizado por meio de paracetamol para febre e dor, conforme orientação médica. Não está indicado o uso de ácido acetilsalicílico e drogas anti-inflamatórias.

Microcefalia

O Ministério da Saúde divulgou nesta semana o primeiro boletim epidemiológico sobre microcefalia, cujo aumento do número de casos no país tem sido monitorado e investigado pela pasta. Trata-se de uma malformação congênita, em que o cérebro não se desenvolve de maneira adequada. Neste caso, os bebês nascem com perímetro cefálico (PC) menor que o normal, que habitualmente é superior a 33 cm. Até o momento, foram notificados 399 casos da doença em recém-nascidos de sete estados da região Nordeste.

O maior número de casos foi registrado em Pernambuco (268), primeiro estado a identificar aumento de microcefalia em sua região e que conta com o acompanhamento de equipe do Ministério da Saúde desde o dia 22 de outubro. Em seguida, estão os estados de Sergipe (44), Rio Grande do Norte (39), Paraíba (21), Piauí (10), Ceará (9) e Bahia (8).

Ainda não é possível ter certeza sobre a causa para o aumento da doença e todas as hipóteses estão sendo analisadas pelo Ministério da Saúde. A Fiocruz notificou na última terça-feira (17) que constatou a presença do genoma do vírus Zika em amostras de duas gestantes da Paraíba, cujos fetos foram confirmados com microcefalia através de exames de ultrassonografia.

Contudo, os dados atuais não permitem ainda correlacionar a infecção pelo Zika com a microcefalia. Tal esclarecimento se dará por estudos coordenados pelo Ministério e outras instituições envolvidas na investigação das causas de microcefalia no país.

Sobre as gestantes, é importante que elas mantenham o acompanhamento e as consultas de pré-natal, com a realização de todos os exames recomendados pelo médico. A microcefalia não é um agravo novo. Esse defeito congênito pode ser efeito de uma série de fatores de diferentes origens, como as substâncias químicas, agentes biológicos (infecciosos), como bactérias e vírus, e radiação.

No RS, até o momento não há relatos de aumento de casos de microcefalia além do esperado.

2010

2011

2012

2013

2014

2015

BRASIL

153

139

175

167

147

399

RIO GRANDE DO SUL

7

13

13

7

7

9