Projeto do IFRS contribui para o aprimoramento de processos do Hospital de Osório

04/10/2016

391“É um trabalho longo, de uma média de seis meses em cada setor, pois é necessária uma mudança de cultura. Mas é algo que precisa muito ser feito. Não há nenhuma comunidade que se desenvolva sem um hospital forte, com um bom cuidado com a saúde”. As palavras são do professor de Administração do Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS), Sérgio Almeida Migowski, que desde março realiza visitas regulares ao Hospital Beneficente São Vicente de Paulo com o intuito de colocar em prática um projeto que prevê a implantação dos conceitos de hotelaria hospitalar na unidade de saúde. O objetivo da ação de extensão, que conta a atuação do também professor da área da Administração, Roberto Saouaya, é contribuir para o aprimoramento dos processos internos e, consequentemente, dos serviços prestados à comunidade de Osório e região: assistência com segurança, conforto e qualidade.

Segundo o docente, a proposta envolve repensar as rotinas de cada setor e também as formas de relacionamento entre as mais diversas áreas administrativas. Por decisão da antiga gestão do hospital, o trabalho teve início na cozinha – área que o professor de Administração conhece tão bem quanto a gestão hospitalar. Chefe de cozinha formado nos anos 80, Sérgio foi proprietário de restaurante em Porto Alegre e no Rio de Janeiro. Quando atuou como comissário de bordo, colaborou para melhorar a qualidade dos alimentos servidos nos voos. Já sua experiência na gestão de hospitais somam 10 anos (passou pelas unidades de Bento Gonçalves e de Santa Cruz do Sul).

Para conhecer a fundo a rotina da cozinha, em abril as visitas ocorriam duas vezes por semana, passando pelos três turno de trabalho. “Entre os aspectos constatados estava a grande sobra da comida servida aos pacientes e a perda de alimentos perecíveis, por exemplo. Temos dimensão da importância desse acompanhamento quando ressaltamos que as sobras mostram que os pacientes não estão se alimentando como deveriam, e isso tem reflexo direto no tempo de internação” – conta Sérgio. O foco do trabalho, então, se deu no aprimoramento das técnicas de preparo dos alimentos para que os pratos ficassem mais saborosos utilizando os mesmos ingredientes disponíveis, e até fazendo economia de alguns insumos, como óleo de cozinha.

Andressa Pinto, uma das nutricionistas do Hospital São Vicente de Paulo, diz que são nítidos os benefícios propiciados: “Melhoramos nossas técnicas de preparo de carnes e de utilização de temperos, como cebola e tomate, que eram usados in natura e agora são processados e mantidos em geladeira – o que aumenta sua durabilidade. Também passamos a pesar as sobras para quantificar o desperdício e, assim, com dados reais, podermos aprimorar cada vez mais o nosso trabalho” – explica.

Ao longo dos meses, diversos cursos foram ministrados pelo docente para gestores de setores, enfermeiros das unidades e equipes de higienização, da copa e da cozinha. Excelência no Atendimento, Liderança, Motivação, Metodologia 5S e Indicadores de Enfermagem foram alguns dos temas desenvolvidos. Com o trabalho na cozinha concluído, o professor passou a atuar no setor de Higienização. Sua previsão é de atender também a Unidade de Internação do Sus, fornecendo os subsídios necessários para o acompanhamento por indicadores.

Mas para o professor, o maior resultado está na espírito de mobilização despertado na comunidade acadêmica do Campus Osório, que vem atuando fortemente com ações em prol do hospital. “Muitos estudantes e servidores participaram do bingo promovido pelas nutricionistas e se engajaram na campanha de conclusão da Brinquedoteca, conduzida pelo projeto de Voluntariado. Além disso, uma professora está indo quinzenalmente no hospital com alunos do 1º ano para atividades de leitura e recreação na brinquedoteca. É essa ‘sementinha’ que faz toda a diferença” – conclui.

Gabriela Morel