Gabriel Souza (Secretário Municipal de Tramandaí)

Você desde muito cedo tem sua vida ligada à política partidária. Como e porque resolveu ingressar neste meio?

Com 14/15 anos, eu e meus colegas fizemos a reativação da aliança Tramandaiense de Estudantes e em seguida assumi como tesoureiro no Grêmio estudantil da Escola Marques de Osório. Fui presidente da associação que congrega todos os grêmios estudantis de Osório, após fui vice-presidente da união gaúcha de estudantes. Com 16 anos, eu senti que a gente fazia política no Grêmio estudantil, mas tinha limite no nosso eco. Aí, comecei a pesquisar partidos, li bastante sobre diversas siglas e me identifiquei com o PMDB. Aí procurei o partido em Tramandaí, em 1999 e me filei. Na época, o partido era oposição no município e a partir daí iniciei na vida política partidária.

Desde 2007 o Litoralmania realiza uma enquete e pela primeira vez Tramandaí foi eleita a melhor praia para veranear no Litoral Gaúcho. A que se deve esta escolha em sua opinião?

Uma das primeiras ações do prefeito após se eleger foi visitar a grande mídia na capital do Estado. Nós tínhamos a política de trazer a grande mídia para Tramandaí. Fizemos uma política de atração destas mídias para a cidade e evidentemente isto repercute. Repercute na decisão do turista de escolher sua praia. E o mais importante, sem custo extra para o município. Também foi importante nossa intenção de divulgar o município para fora da cidade. Nossa estratégia é divulgar Tramandaí para fora e não só internamente.

Em 2012/2013, Tramandaí teve um crescimento de 64,41% das vagas de empregos formais. O resultado surpreendeu ou estava dentro do previsto?

Nós, cidades do litoral crescemos três vezes mais que o PIB brasileiro. O litoral é a região que mais cresce demograficamente no estado e é a região que mais tem o seu PIB crescendo. Tramandaí, especificamente, tem um crescimento na construção civil que é um crescimento que vai se acentuar mais ainda. Já esperávamos 2013 melhor que 2012? Sim, mas não tanto.

Foi uma surpresa positiva passar de 50% na geração de emprego. Gerar emprego é muito difícil, tem que ter a tua política bem acertada e também depende de fatores externos como a economia nacional, do humor do mercado, do bom tempo, no caso o litoral.

A temporada 2013/2014 é a melhor temporada da última década. Hoje, nós temos duas grandes fontes na geração de emprego. No setor de serviço, quanto mais pessoas vir pra cá, mais cresce. Na construção civil, deve empregar muito mais (2014/215), pois está saindo muito mais condomínios lacustres, na entrada da cidade e também está iniciando a obra de esgoto cloacal em três bairros (Tiroleza, Recanto da Lagoa e Litoral) que irá permitir prédios verticais acima de quatro andares que hoje não é permitido.

Você está à frente da Secretaria Municipal de Planejamento e Desenvolvimento do governo Rapaki. Neste período, quais ações pode se destacar do seu trabalho?

Nós fizemos uma secretaria de planejamento de fato. Não que os outros governos não tivessem. Agora, planejamento estratégico, Tramandaí nunca teve. Hoje, nós sabemos no papel, com início, meio e fim, o que queremos fazer e como faremos. A secretaria de planejamento cresceu muito no governo, hoje ela interage com várias secretarias. Ela é o que existe de transversalidade no governo, porque governo pra mim tem que ser transversal, tem que estar se comunicando com todo mundo sempre, e o planejamento faz isto, auxilia na coordenação do governo. Mas, a grande marca que poderia frisar foi à captação de recursos.

Tramandaí é o município do litoral que mais captou recursos em 2013. Captamos quase quatorze milhões de reais nas áreas de turismo, infra-estrutura, educação e saúde.

Captou como?

O que acontece, nós não tínhamos projetos. O governo anterior perdeu quatro milhões e meio de reais de empenho cancelado. O que é empenho cancelado? O governo federal reservou o dinheiro para Tramandaí e disse: “Tramandaí me envia os documentos dos projetos”; e Tramandaí não tinha, ou não conseguiu fornecer a tempo, ou forneceu errado, ou não forneceu e aí o governo cancela o empenho. O prefeito Rapaki, para não ocorrer isto, nos pediu para montar uma central de projetos com profissionais da área e através desta central temos um órgão que só faz isto o dia inteiro. O investimento é mínimo, não custa setenta mil por ano e nós captamos em um único projeto com a central, mais de um milhão que é a rota dos cata-vento.

Em relação à região. O Litoral possui inúmeras belezas naturais que nem a serra gaúcha possui. O que falta para o litoral conseguir se beneficiar disto e atrair turistas o ano inteiro e não somente no verão?

Tenho uma opinião muita crítica quanto a isto. Eu acho que estamos virados pro lado errado. Se nós competirmos com o sul de Santa Catarina que é nosso principal concorrente, nós vamos competir com o mar e não vamos competir com o que nós temos de melhor.

O mar não é o melhor, o mar é bonito, é uma atração importante, protagonista, mas o que nós temos de diferente é o cordão lagunar. Serra, lagoa, rio e mar, só aqui têm. Por isto eu acho que nós estamos virados pro lado errado. Além disto, nós não temos um circuito turístico no litoral oficial, o conselho estadual de turismo não reconhece nossa região como um circuito turístico. Não tem, porque não tem articulação dos municípios, não tem profissionalismo nisto, não tem um engajamento mais sério, talvez não tenha até uma articulação política institucional do que poderia ser feito. Com isto estamos perdendo de gerar milhares de empregos.

Tu acreditas que os municípios do litoral um dia irão acordar e através de uma união alavancar o turismo?

Acredito, acredito mesmo e trabalho pra isto. Isto é uma iniciativa urgente que nós temos que fazer. Não é papo de pré-candidato, de secretario, de político, eu acredito mesmo. Nós aqui em Tramandaí estamos fazendo um projeto que serve como um pequeno teste para estas articulações  que é o “Tramandaí 2014 – É gol de placa” que a gente articulou uma parceria com hotéis, bares e restaurantes, FECOMÉRCIO, SESC/SENAC, CDL, prefeitura e agências de viagens. Juntamos as forças e conseguimos fazer um belo trabalho quase que de graça que já é referência para outras cidades do estado que querem entrar na copa mesmo não sendo sub-sede.

Como funciona o programa?

Antecipamos em uma semana a Festa Nacional do Peixe para atender a demanda da Copa do Mundo. Quando o brasileiro vai viajar para uma Copa do Mundo, ele vai a alguma agência de viagem. E o raciocínio pra eles (estrangeiros) é o mesmo. Pegamos todos hotéis e fizemos um pacote turístico por cem dólares padrão único. O que inclui estes cem dólares? Transporte, hospedagem, uma alimentação e ingresso para a Festa Nacional do Peixe. Uma criatividade que nós criamos para atender esta demanda. Outra coisa importante é que o SESC e o SENAC estão trabalhando juntos.

O SENAC está oferecendo cursos de inglês gratuito para funcionários do comércio e taxistas da cidade. Também vamos fazer um curso de boas práticas de fabricação para trabalhadores de restaurante e bares. Quanto que custa isto para o município? Quase nada. Nós temos um material de divulgação, temos as parcerias, então estamos utilizando as ferramentas que nós temos. Os comerciantes irão ganhar dinheiro, os hoteleiros vão ganhar dinheiro.

Quem participar dos cursos será identificado com um adesivo para o estrangeiro saber que aquele local está preparado para lhe atender.

E a hotelaria de Tramandaí está preparada para atender a demanda de turistas?

Temos um nível, não vamos nos comparar com o Serrano Resort de Gramado, mas com o nível que nós temos aqui, nós podemos atender uma grande parcela de turistas. Uma fatia, por exemplo, que podemos atender são os caras que vão trabalhar na copa. Quem são estas pessoas? São jornalistas, são fotógrafos, profissionais da área da tecnologia da informação e telecomunicações, entre outros. São pessoas que vem trabalhar, mas querem alojamentos de qualidade, que tenham suportes para ar-condicionado, internet, boa alimentação com algumas atrações turísticas, próximas de Porto Alegre e nós temos condições para isto com tranquilidade. Temos hoje aqui 1200 leitos, contando com alguns de Imbé juntos. O desafio é informar pra eles que tem, por isto o projeto Tramandaí 2014 – É gol de placa.

Em 2013, Eliseu Padilha disse em entrevista que PMDB e PT poderão unir-se em 2014 para salvar o RS. Mas, sabemos que dentro do seu partido muitas vozes são completamente contrárias a isto. Você aprovaria esta aliança?

Eu acho que o Padilha quis dizer que o estado do Rio Grande do Sul hoje está praticamente ingovernável. Não vou dizer que está ingovernável porque seria um exagero, mas não está tão longe desta realidade. Ele quis dizer que é preciso um conjunto de forças políticas se unir para melhorar a condição do Estado. O nosso problema (gaúchos), e eu me incluo nisto, é o bairrismo exacerbado e o duelismo exacerbado. Nós temos gremistas e colorados e isto acaba em alguns momentos nos prejudicando. Agora, sobre a hipótese do PT e o PMDB na eleição do governo do Estado é inviável.  Porque nós somos oposição, hoje sou suplente de deputado, mas caso tivesse na Assembléia eu entraria como opositor e sairia como opositor do governo Tarso.

Tenho severas criticas ao governo Tarso. O governo Tarso não atende a população que deveria, e principalmente aqui na nossa região não fez nenhuma obra de vulto, apenas inaugurou obras do governo anterior e utilizou recursos federais como mero intermediário. E também porque o PMDB tem candidato próprio, porque é um partido muito forte. Como nós iríamos falar para nossos eleitores que não teríamos candidato próprio? Isto é inadmissível, não passa pela cabeça do partido isto. Não passa pela cabeça do Padilha também. Ele inclusive tem trabalhado para ter candidatura própria ao governo do Estado.

Mas, tem a questão nacional que daí entra em outro plano. Eu por exemplo fui funcionário do governo federal em 2011, porque somos (PMDB) vice e o partido quando faz parte do governo ele chama seus quadros quem acha que pode servir ao governo e o coloca nas funções que foram designadas. Eu acho que o Padilha tem esta posição muito nacional que acabou sendo mal interpretada aqui no estado. Ele não aceitaria ser vice do PT, agora se o PT quisesse ser nosso vice, aí de repente até poderíamos estar juntos.

Quais suas pretensões para 2014? Irá novamente concorrer a deputado estadual?

Sou pré-candidato a deputado estadual, mas quero salientar que só sou pré-candidato porque o PMDB do litoral se reuniu e dos 23 diretórios, 22 apoiam a minha candidatura. Se fosse o contrário, eu não seria. Porque candidato, tu não pode ser de si mesmo.

Existe a possibilidade do PMDB do litoral ter mais de um candidato a deputado estadual?

Esta possibilidade sempre existe porque o PMDB não preenche a nominata na plenitude. O que não muda a posição oficial da coordenadoria do litoral que é de ter apenas um. Por quê? Porque evidentemente aumentam as chances da região ter um representante eleito. Agora, temos que respeitar se algum companheiro quiser ser candidato sem a oficialidade do partido na região, mas tão legitimo quanto às outras candidaturas, sem problema nenhum, a gente tem que respeitar e fazer nosso trabalho.

Deixe um recado final.

Gostaria de reforçar as oportunidades que o litoral tem perdido por falta de união da classe política, por falta de articulação entre os atores que formam nossa sociedade. Uma região que cresce muito devido às belezas naturais que tem, proximidade da capital, a divisa com o estado de Santa Catarina, mas podíamos crescer muito mais se tivéssemos um discurso único para desenvolver a região. E uma das pautas da minha pré-campanha é isto, é ter alguém, um órgão, uma instituição, um gabinete na assembléia, que seja um dos responsáveis por esta articulação que eu acredito que vai fazer com que a região saia da situação que está hoje, para uma condição muito mais qualificada.

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