Colheita do arroz no Estado se aproxima do final com 87,4% da área

23/04/2015

GD_20150422170425colheita_finalA colheita do arroz da safra 2014/2015 no Estado se aproxima do final. Com 87,4% da área colhida, o equivalente a 984.152 hectares, os produtores do Estado apresentam uma produção até agora de 7.606.063 toneladas e uma produtividade média de 7.729 quilos por hectare. A região produtora com a melhor produtividade até agora é a Zona Sul, com 8.333 quilos por hectare. Com 161.262 hectares colhidos, 88% da área plantada, a região arrozeira tem uma produção de 1.343.807 toneladas.

Em Jaguarão, município atendido pelo 25º Núcleo de Assistência Técnica e Extensão Rural (Nate) do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), o produtor Ricardo Teixeira Gonçalves da Silva, do grupo Quero Quero, ressalta que mesmo com as chuvas, que o levaram a plantar parte da lavoura fora do período planejado e, com isso, atrasar também no plantio da soja, houve incremento de produtividade de sete sacos por hectare. “O tempo ajudou e o mês de março foi quente e seco, e obtivemos resultados positivos mesmo num ano de adversidade climática”.

O grupo planta aproximadamente quatro mil hectares de arroz e três mil ha de soja. Em caráter experimental, nesta safra, as lavouras foram irrigadas com politubos, experiência que deve se repetir no próximo ano e estendida também para a soja. Para a próxima safra, o produtor já está com 60% das áreas de soja e arroz prontas. “Todos os esforços são no sentido de plantar na época certa, tanto o arroz quanto a soja”, diz.

O produtor Oscar Tomaz Gomes Prado, também de Jaguarão, planta 700 hectares de arroz e, este ano devido a adversidades climáticas, plantou 200 de soja, quando planejava 400 hectares. Apesar das adversidades, registra incremento de produtividade de 10 sacos em relação à safra passada.

Para a próxima safra, ele está com 90% da área de arroz pronta. Realizou investimentos em agricultura de precisão em áreas com histórico de baixa produtividade, o que deve repetir este ano, e também investirá em irrigação com politubos.

A região produtora com a colheita mais adiantada é a Planície Costeira Externa (PCE) que tem 94,6% da área colhida, o equivalente a 134.372 hectares. A produção é de 908.634 toneladas e a produtividade média de 6.762 quilos por hectare.

A Fronteira Oeste é a segunda região mais adiantada, com 91,7% da área colhida e tem também a segunda maior produtividade média do Estado, com 8.014 quilos por hectare. Em Uruguaiana, município atendido pelo 12º Nate, o produtor Delázio Schwanck, conseguiu atingir uma média geral da lavoura nesta safra, 2014/2015, de 310 sc/qq seco e limpo, em torno de 8,9 mil kg/ha, superando as expectativas de safra da região, que eram de 8,2 mil kg/ha, devido ao atraso no plantio por excesso de chuvas na região.

Entre as ações realizadas para atingir esta média, o produtor destaca o aumento de área plantada de 10% em relação à safra 2013/14, ampliação das áreas com as variedades que mais produziram no ano anterior. Ele destaca ainda, a utilização de disco limitador na plantadeira, permitindo assim a agilidade no plantio, podendo o mesmo ser feito ainda em áreas com excesso de umidade.

Foi utilizado ainda, adubo folhar, o que não ocorreu na safra anterior e aplicação de fungicida em toda área, sendo que no ano anterior foi aplicado somente em 25%, segundo o filho do produtor e responsável pela lavoura, Tiago Schwanck.

Nas demais regiões, a colheita atinge 88,1% na Planície Costeira Interna (PCI), 81% na Campanha e 77,2% na Depressão Central. O técnico agrícola e produtor rural, Daniel Della Ninna Reis, que tem sua lavoura no município de General Câmara, atendido pelo 28º Nate, localidade de Volta do Barreto, conta que esta foi uma safra com dificuldade de plantio e facilidade de colheita. “Este foi um ano agrícola de enormes dificuldades iniciais, seja na implementação das lavouras, desde a época de preparo do solo até o efetivo plantio, com período de chuvas acima da média, o que atrasou o preparo, a aplicação de adubos defensivos e atrapalhou o manejo adequado de plantas daninhas”.

Mas, acostumado à diversidade climática, o orizicultor programou a lavoura com melhores investimentos em sementes e produtos de qualidade, e também aumento significativo na adubação de base. “Com isso chegamos à época de colheita e posso afirmar que foi  uma das melhores dos últimos anos, em razão do clima propício ao andamento da mesma e com uma produtividade dentro do esperado em algumas regiões, bem acima da média regional”. Na sua avaliação, este foi um ano em que a lavoura arrozeira superou as dificuldades e mostrou mais uma vez seu potencial.

Luciara Schneid