Carnaval – Por Dom Jaime Pedro Kohl

By | 05/02/2016

IMG_1180-195x300111111111Carnaval, hoje, uma festa totalmente profana e pouco edificante. Ao lado de desfiles deslumbrantes das escolas de samba, com todo o seu requinte, riqueza de detalhes, fantasias fascinantes, desperdício de dinheiro, exposição de luxo, vaidade e também despudor.

Presencia-se paralelamente uma verdadeira orgia de festas mundanas, cheias de licenciosidade, onde se pensa que tudo é permitido, menos o direito de mostrar indignação pelas aberrações que se cometem.

Nesses dias, a moral fica esquecida e até as pessoas mais sérias se mostram debochadas, a imoralidade e a libertinagem campeiam, a pureza perece e a tranquilidade desaparece. Infelizmente, há muito tempo que o Carnaval deixou de ser apenas um folguedo popular, uma festa quase inocente, uma brincadeira de rua, uma diversão até certo ponto sadia.

         A origem da palavra “carnaval” vem do latim “carne vale”, “adeus à carne”, pois no dia seguinte começava o período da Quaresma, tempo em que os cristãos se abstinham de comer carne, por penitência. Daí que, ao se despedirem da carne na terça-feira que antecedia a Quarta-Feira de Cinzas, se fazia uma boa refeição, comendo carne e a ela davam adeus. Tudo isso deu origem a uma festa nada cristã.

         Devido à devassidão que acontece nesses dias de folia, alguns cristãos preferem se retirar e entregar ao recolhimento e à oração. Fazem o “retiro de Carnaval”, altamente aconselhável para quem quer ser fiel aos princípios e valores cristãos.

É sempre bom lembrar que: “O barulho não faz bem e o bem não faz barulho”, como dizia São Francisco de Sales.

         Já nos advertia São Paulo: “Não vos conformeis com esse século”; “há muitos por aí que se comportam como inimigos da cruz de Cristo. O fim deles é a perdição, o deus deles é o ventre, a glória deles está no que é vergonhoso, apreciam só as coisas terrenas”; “Os que se servem deste mundo, não se detenham nele, pois a figura deste mundo passa”.

         Cada um é livre de fazer suas escolhas. Nada contra o lazer e o divertimento. O lúdico sadio é legitimo e aconselhável. Sua conveniência e bondade depende dos frutos que deixa no coração humano a partir do dia seguinte.

Fazemos votos que com o “descanso” do feriadão de Carnaval possamos retomar nossas atividades com o pé direito e iluminados por Deus, único capaz de colocar-nos no caminho da verdadeira liberdade, alegria e paz. Alegremo-nos sempre no Senhor!

Dom Jaime Pedro Kohl – Bispo de Osóriodomjaimep@terra.com.br