Atire a primeira pedra – por Jayme José de Oliveira

30/06/2016

Jayme José de OliveiraNo dia de sua entronização como Sumo Pontífice da Igreja Católica o Papa Francisco deu o primeiro sinal de como seria sua diretriz futura. Em vez dos tradicionais paramentos suntuosos, manteve o hábito até hoje seguido de vestes sóbrias, inclusive seus indefectíveis sapatos de couro preto com solado de borracha. Antes da homilia, humildemente, pediu aos fiéis que lotavam a praça São Pedro e adjacências:                                                                                         -“Rezem por mim que sou um pecador”.                                                                                         Que exemplo a ser seguido por todos os homens de boa vontade, consciência de sua finitude e fragilidade humana.                                                                                                                           O Criador nos concedeu o livre arbítrio. Podemos usá-lo para nos elevarmos ou para a degradação. Escolhamos a primeira opção, que não é fácil e exige contínua luta para superar nossas inconsistências.

Ao nos depararmos com o ambiente caótico que atravessamos a tendência é apontar, cheios de razão, os despautérios que a “novilíngua” denomina “malfeitos”. São tantos, tão significativos, catastróficos e com reflexos tão generalizados que não podem ser desconsiderados. Pelo contrário. Mas não só eles. Pertencem à alçada das “elites” que fazem e acontecem e nada lhes acontece. Nada lhes acontecia. Recentemente parece que os ventos mudaram e furacões assolam sítios nunca dantes imaginados.                                                                                         A Lava-Jato não se adstringe aos “ladrões-de-galinha”, não se intimida ao defrontar mesmo deuses do nosso Olimpo, e, como numa sequência de peças de dominó, as quedas prosseguem em ritmo ininterrupto e cada vez mais avassalador. Zeus, Minerva, Apolo, Chronos e outros de igual magnitude ainda se sentem intocáveis? Não perdem por esperar. Alguém poderia imaginar Sarney indicado pelo Procurador Janot para usar tornozeleiras eletrônicas e Lula ao alcance do Juiz Moro?

Tudo isso está sendo divulgado, comemorado por uns enquanto provoca choro e ranger de dentes a outros. Decorridos alguns dias e os papéis se invertem, e mais uma vez… e outra… e outra… Conclusão: Não há anjinhos na parada. Na mitologia grega, nas pálpebras dos mortos se colocavam moedas destinadas ao pagamento da passagem para o além. Caronte,o barqueiro, os transportava través do rio Aquedonte ao Reino de Hades onde podiam adentrar nos Campos Elíseos (céu) ou serem jogados no Tártaro (inferno). A mitologia grega cai como uma luva quando observamos os mortos-vivos que perambulam pelos escalões da política. Certamente a maioria seria confinada no Tártaro.

Retornando ao rés-do-chão, olhemos para o nosso umbigo. Desdenhamos, vituperamos os que praticam “malfeitos grandiloquentes”. E nós? Quantos podem se eximir de fazer companhia aos supracitados? Quantos se sentirão isentos de culpa e convencidos que podem “atirar a primeira pedra” conforme a provocação de Cristo aos que se dispunham apedrejar a pecadora Maria Madalena? Quantos não pecam, diariamente em pequenos delitos como atravessar um sinal vermelho, furar uma fila, pagar para driblar burocracia, LEVAR VANTAGEM EM TUDO? Repito:QUEM SE CONSIDERE INOCENTE, ATIRE A PRIMEIRA PEDRA!

Queremos um pais DECENTE? Comecemos por nós.

ATIR A PRIMEIRA PEDRA

Jayme José de Oliveira  – Capão da Canoa – RS – Brasil

(51)98462936 – (51)81186972

cdjaymejo@gmail.com