Abram-se as portas! – Por Dom Jaime Pedro Kohl

19/12/2015

IMG_1180-195x300111111111No domingo, dia 13, todas as Catedrais da Igreja Católica abriram sua Porta Santa do Jubileu Extraordinário da Misericórdia. Celebração que visa comemorar os 50 anos da conclusão do Concilio Vaticano II, evento que quis “abrir as portas e janelas” para entrar um “ar fresco” na vida da Igreja e na sua ação evangelizadora.

É uma oportunidade ímpar para a igreja abrir suas portas e se pôr em saída, indo ao encontro de todos os que se põem a caminho.

Abrir a porta santa e atravessá-la significa deixar-se abraçar pela misericórdia infinita de Deus e sermos nós mesmos misericordiosos com os outros como ele é conosco: “Misericordiosos como o Pai”.

Essa experiência nos leva a prostrar-nos aos seus pés, jogar-nos em seus braços, deixar-nos carregar sobre seus ombros, qual ovelha frágil e ferida, convidada a entrar para a festa da volta à casa que se abre para tudo dar.

Perante a gravidade do pecado, Deus responde com a plenitude do perdão. A misericórdia será sempre maior que qualquer pecado, e ninguém pode colocar um limite ao amor de Deus que perdoa.

Vivemos um tempo em que somos convidados a “abrir portas”. Sim, precisamos abrir nossas portas a Deus, aos nossos irmãos e irmãs.

Abrir portas para relações mais humanas, justas e fraternas.

Abrir portas para sairmos em missão, irmos ao encontro dos afastados, nas periferias existenciais, daqueles e aquelas que não tiveram a graça do encontro com Cristo e a doçura do seu amor misericordioso.

Abrir portas aos pobres, doentes, presos, os sem voz e sem vez, presentes em nossas comunidades.

Abrir portas ao próprio companheiro ou companheira, sogro ou sogra, filho ou filha, quem sabe aos irmãos para quem se levam rancores há anos e esperam por aquele abraço negado e que faz sofrer.

Sonhamos com muitas portas se abrindo, muitos gestos de misericórdia acontecendo: alimentar os famintos, saciar os sedentos, vestir os despidos, abrigar os sem teto, visitar os doentes ou cativos, sepultar os mortos, instruir os ignorantes, aconselhar os duvidosos, advertir os pecadores, perdoar as ofensas, confortar os aflitos, rezar pelos vivos e pelos mortos.

“Deixemo-nos surpreender por Deus” porque Ele nunca se cansa de escancarar a porta do seu coração, para repetir que nos ama e deseja partilhar conosco sua vida.

“Do coração da Trindade, do íntimo mais profundo do mistério de Deus, brota e flui incessantemente a grande torrente da misericórdia”.

Deixemo-nos alcançar por ela! Somente assim muitas portas se abrirão.

Abram-se as portas!

Dom Jaime Pedro Kohl – Bispo de Osóriodomjaimep@terra.com.br