A Supermáquina 5 – Indefinidamente jovens, por Jayme José de Oliveira

20/07/2016

Jayme José de OliveiraALGUNS DOS MAIS INFLUENTES MAGNATAS DO VALE DO SILÍCIO ESTÃOAPOSTANDO BILHÕES NUMA IDEIA OUSADA: A CURA DA VELHICE TORNOU-SE UM OBJETIVO CONCRETO.

Em 2.013 a Google criou uma empresa, a California Life Company que recebeu o investimento de U$ 750 milhões e tem como objetivo curar a velhice. Seu consultor Ray Kurzweil recebeu o apoio de figuras como Dave Asprey, presidente da Silicon Valley Health Institute, uma organizaçãosem fins lucrativos dedicada a promover pesquisas que ajudem a reduzir os efeitos degenerativos da velhice. Peter Thiel doou U$ 3,5 milhões para a fundação Methuselah (grafia clássica para Matusalém) que ajuda a bancar pesquisas ligadas à longevidade.

Conforme você vive, as suas células se multiplicam, o organismo vai criando novas para substituir as que morrem. Esse processo não é infinito. Ele “desgasta” o DNA. Esse acúmulo de células capengas, então, gera doenças e dá origem àqueles sintomas todos da idade avançada. “Para cada ruga na cara, há uma ruga dentro de você”. Se pudermos consertar o que nos faz morrer de idade avançada, podemos viver muitos anos. Portanto, ao combatermos a velhice podemos evitar doenças e viver por mais tempo. E de lambuja, ainda ganhamos uma aparência jovem mais duradoura.

Em 2.004, Ray Kurzweil lançou o livro “A Medicina da Imortalidade”, assinado em parceria com o médico Terry Grossmann. Ele acredita que podemos viver para sempre.

O método é complexo, envolve dietas rigorosas, acompanhamento médico, relaxamento e restrição de calorias. O tratamento poderá fazer com que os humanos interrompam o processo de decadência do corpo a partir dos 30 anos, quando a multiplicação celular começa a apresentar defeitos.

Depois, se você sobreviver às próximas décadas, chegará a segunda fase: a biotecnologia, que será capaz de reparar os danos do seu organismo,do DNA e remover resíduos de moléculas oxidadas. Espera-se que pessoas de 70 anos tenham a aparência de 30 e poucos. Mas para chegar a esse ponto são necessárias muitas pesquisas. A segunda onda da revolução da biotecnologia proposta por Kurzweil depende do desenvolvimento de terapias capazes de agir diretamente no DNA, onde os estudos avançam a passos largos.

Grey, por exemplo, está trabalhando numa técnica de preservação de um backup do DNA mitocondrial, um dos mais afetados pela oxidação das células. Assim, após décadas, poderemos  recuperar um backup do DNA e recoloca-lo de volta na mitocôndria para que ela volte a funcionar como antes de envelhecer. O nosso metabolismo é muito complicado, é mais fácil recuperar células do que desacelerar o ritmo dos estragos produzidos nelas.

Mais tarde, chegará a hora da terceira onda: a revolução da tecnologia da inteligência artificial. Nos tornaremos “pós-humanos”. Robôs microscópicos serão programados para interagir com nossas células e realizar reparos em nossos corpos.

Indefinidamente jovensStefano Palagi e equipe do Instituto Max Plang, na Alemanha, construíram microrrobôs de 0,1 mm inspirados nos cilióforos, que se movimentam em meio líquido. Minissubmarinos que naveguem pelo corpo humano para detectar e curar doenças ainda podem ser coisa de ficção científica, mas a equipe já está pensando em testar seus microrrobôs acionados por luz como assistentes na ponta de um endoscópio.

Vamos imprimir rins e fígados defeituosos em impressoras 3D e substituí-los.

Num último estágio, estamos falando em tempos de inteligência artificial – Bil Gates e Stephen Hawkins abordam o assunto com muita seriedade e certo temor das consequências -, em caso de “morte biológica”, acionaremos o backup das nossas mentes. Assim como você faz backup do seu computador, você poderá guardar cópia do seu cérebro e executá-la em um robô, que passará a ser…você. Teremos chegado à vida eterna,ao menos no tocante do nosso intelecto.

Os últimos estágios  desse plano rumo à juventude eterna  continuam tão longe da realidade como as viagens intergaláticas.

É nesse futuro que os bilionários do Vale do Silício estão apostando.

QUANDO A CIÊNCIA SABE O QUE PROCURA, GERALMENTE ENCONTRA – Cícero Galli Coimbra, neurologista)

Na próxima coluna, que completará a série, abordaremos “O milagre da multiplicação dos neurônios”.

P.S.: Dados fundamentais para a elaboração desta coluna e das posteriores foram pesquisados na Revista Superinteressante, edição 359-A de maio/2.016 e no Google.

Jayme José de Oliveira  – Capão da Canoa – RS – Brasil

(51)98462936 – (51)81186972

cdjaymejo@gmail.com