1° Parlamento Ibero-Americano da Juventude – Zaragoza, Espanha – por Jayme José de Oliveira

07/04/2015
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Jayme José de Oliveira

Quando conscientizados para causas justas, os jovens se engajam com todo o ardor característico e promovem movimentos que tem o condão de, inclusive, abalar estruturas aparentemente indestrutíveis. Assim ocorreu em agosto de 1.992 quando os caras-pintadas lideraram o movimento que culminou com o impeachment do presidente Collor.

A proliferação de governos populistas com vieses totalitários ou mesmo “democráticos” estão estimulando um novo movimento.

Entre 17e 19 de setembro de 2.014 a Rede Ibero-americana LIDER organizou o 1º Parlamento Ibero-americano da Juventude em Zaragoza, na Espanha. Gloria Alvarez do Movimento Cívico Nacional da Guatemala fez uma apresentação sobre os males do populismo, o que ela diz explica muito do que ocorre atualmente no mundo, inclusive no Brasil.

Transcrevo uma sinopse, o link ao final permite acessar a íntegra.

O Populismo inicia acabando com as instituições e pouco a pouco reescreve constituições para poder adequá-las aos desejos dos diferentes líderes corruptos que temos na América Latina.

O Populismo não existe por casualidade mas pelo péssimo trabalho dos governos que os antecederam e que nos levaram à crise absoluta e induziu populações a recorrerem a esses líderes, às vezes por vias democráticas e isso justifica sua permanência no poder.

O que esperamos do governo? A defesa dos direitos inalienáveis de cada um de nós: nossa vida, nossa liberdade e nossa propriedade. Estes direitos podem e devem existir para todos indistintamente. Além destes, há também o direito à saúde, à educação e uma série de outros, que não foram atendidos. O problema é que para existirem esses direitos para todos, exige-se a renúncia do direito de alguns excedentes de certas pessoas para serem outorgados à população. Por causa disso surgiram regimes populistas e autoritários que vemos hoje. Independentemente de nossa ideologia política, temos que encarar o debate de como distribuir os direitos e donde tirar os recursos, porque, se não o fizermos, as populações seguirão vendo nesses líderes a solução.

O Populismo é o atalho pelo qual se joga com as necessidades do povo prometendo o impossível aproveitando a miséria das pessoas, desprezando a razão e a lógica na tomada das decisões. Joga com a necessidade para impor uma ditadura.

Há três tipos de governo possíveis: Monarquia, que degenera em Ditadura; Aristocracia, onde um grupo governa virando Oligarquia e nós na América Latina conhecemos bem ou há uma Democracia onde todos governam e acaba degenerando em demagogia, algo que também conhecemos.

Quando os gregos – Sócrates e Aristóteles foram os filósofos porta-vozes – analisaram essas três formas de governose deram conta que a República era a resposta porque dava institucionalidade ao governo. O Monarca na forma de Presidente, a Aristocracia na forma de um Parlamento e a Democracia como veículo e via de comunicação e escolha. É por isso que a República anula os vícios das três formas de governo para agrupá-los de forma institucionalizada que o Populismo, hoje, está destruindo. Acabemos com o Populismo através da tecnologia que permite nos comunicarmos e descobrir que nossos líderes populistas anulam a razão e a lógica estimulando as paixões. Nós também devemos usar a paixão, mas pela educação, pela troca de ideias, pelo conhecimento e para recuperar a dignidade das pessoas. Pessoas sem dignidade pensam que precisam de um líder para controlar absolutamente tudo. A miséria as faz conceder seu voto por qualquer objeto material que naquele momento necessitem.

A admiração que há pelo Regime Cubano ou Venezuelano é absurda porque não é guiada pela razão e pelo conhecimento, mas pela ideologia. Poucos reconhecem, por exemplo, que em Cuba um engenheiro prefere ser taxista. Poucos veem no regime Chavista as atrocidades e as violações dos direitos humanos, porque tudo o que veem é que há saúde e educação de graça. MAS NADA É DE GRAÇA, tudo é pago com o dinheiro originado da corrupção e quando ela começa – a corrupção – todo o sistema perde suas virtudes.

Na Guatemala teremos eleições e, infelizmente, os três candidatos vão pela via populista, sejam de direita ou de esquerda. O populismo se infiltrou em todas as ideologias porque divulgou: “Você está mal porque alguém está bem”. O que temos de resgatar é que todos podemos estar bem.O fato de que uma pessoa acumula riquezas não impede outra de acumular também. Para que isso aconteça precisamos de segurança jurídica, de um Estado correto e acima de tudo, resgatar nos nossos Parlamentos o respeito e a admiração pelo debate de ideias com argumentos baseados na lógica e na razão e não em interesses pessoais e subalternos. Mas, um povo que não tem educação não vai exigir isso de seus políticos. Um debate pela lógica e razão será facilmente manipulado pelas paixões. Devemos usar as redes sociais e a tecnologia, que abrangem todo o continente, para acabar com o Populismo indutor da ilusão de que só os benefícios materiais importam ao votar.

Eu proponho que amanhã, ao assinarmos a Declaração de Zaragoza, nos comprometamos a acabar com o Populismo e resgatar o nosso futuro.

http://www.psdb-rj.org.br/site/midia/espaco-aberto/4509-gloria-alvarez-sobre-populismo-no-parlamento-iberoamericano-da-juventude